segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

“My name is Angel” - O dia que decidi conhecer Toronto

Na minha primeira viagem de negócios aos Estados Unidos em 1999, inclui uma visita a uma amiga que acabara de se mudar de São Paulo e resolveu tentar a vida em Toronto.
Liguei para uma agência de viagens em Miami e me perguntaram se eu tinha o visto canadense.
- Não, somente o americano – respondi – você pode me informar se há algum consulado do Canadá por aqui?
- Não, somente em Nova York ou Buffalo – foi a resposta.
- Onde fica Buffalo? – tornei a perguntar.
- Perto de Niagara Falls, que faz fronteira com o Canadá – ela me informou.
- Qual o melhor trajeto para chegar lá?? – indaguei.
- Você terá que ir até o aeroporto JFK em Nova York e depois fazer a conexão para Buffalo.
- Ok, você pode fazer a reserva – finalizei. Mais tarde eu passo na sua agência para pegar a passagem.
Liguei para minha amiga avisando que naquela semana eu estaria em Toronto. Ela ficou muito surpresa e não acreditava que eu estava indo para lá. Também perguntou sobre o visto e disse-lhe para ter um pouco de paciência pois eu teria uma peregrinação a fazer e contei-lhe o meu plano.
No dia seguinte embarquei rumo ao Canadá. Quando estava no avião, percebi que não teria muito tempo para encontrar o portão de embarque para Búffalo, pois haviam me avisado que o aeroporto era muito grande.
Comecei a conversar com um rapaz americano e me perguntou o que eu estava fazendo em N.Y. Expliquei o que estava acontecendo e ele se prontificou a me levar até o portão.
Esperando o vôo para Buffalo tentei saber se havia algum hotel próximo ao aeroporto, pois o avião pousaria quase uma da manhã, mas foi em vão.
Ao embarcar levei um susto, pois o avião parecia mais um teco-teco e quando levantou vôo rezei para que as hélices continuassem funcionando.
Mais ainda não sabia o que faria quando chegasse no aeroporto, então comecei a conversar com o rapaz ao meu lado e qual não foi a minha surpresa ao descobrir que ele estava voltando da América do Sul e falava até um pouco de português e morava em Buffalo.
Expliquei mais uma vez a minha história e disse-me que seus pais o buscariam no aeroporto e que eles poderiam me dar uma carona até o hotel, pois ficava do outro lado da estrada saindo do aeroporto.
Nesse momento meus pensamentos era os mais diversos: o que eu faço, será que eu posso confiar, talvez seja melhor eu esperar no saguão do aeroporto e quando amanhecer vou até o consulado canadense, ou talvez o melhor seja desembarcar e conhecer os pais do rapaz e se perceber que são confiáveis aceito a carona. Anjinho da guarda me ajuda!
Desci meio tímida do avião e logo pude avistar os pais, e também a irmãzinha. Ufa!!! Fiquei mais aliviada, parecia uma boa família. Ele logo me apresentou e explicou que eles teriam que me deixar no hotel.
Foi uma decisão sábia, o aeroporto estava vazio e não ficaria tranqüila, ainda mais com a bagagem e também não sei se conseguiria dormir.
Agradeci pela carona e prometi escrever para contar o resto da minha viagem.

Ao fazer o check in no hotel o atendente explicou que eles não tinham o sistema de despertador e o meu relógio também não tinha, o jeito foi colocar o meu despertador biológico para me acordar as 6:00 da manhã. E confiar.
Agradeci quando olhei no relógio e eram exatamente 6:00 a.m.. Um novo dilema tomou conta de mim após descobrir a localização do consulado - centro da cidade : levo a bagagem ou deixo a bagagem.
Resolvi fechar a conta e levar a bagagem. Uma van me deixou novamente no hotel e entrei em um ônibus circular. Nesse momento fiquei com medo pois havia três motoristas e ainda estava escuro. Entrei no ônibus para o centro da cidade, sentei perto da porta de entrada dianteira e ainda sonolenta vi um senhor muito grande entrar no ônibus. Disse-me que era o motorista.
Não demorou muito ele começou a dirigir e eu a rezar...
Quando clareou o dia me senti um pouco mais tranqüila e logo alguns passageiros entraram e me olhavam um pouco estranho. Eu estava conversando com o motorista e ele também me perguntou o que eu tinha me levado até aquela cidade. Comecei a achar que não era muito comum uma mulher viajar sozinha ainda mais em uma cidade não muito turística.
Expliquei novamente a história e disse-lhe que costumava chamar aquelas pessoas que tinha me ajudado de anjos.
Ele olhou para mim e disse: My name is Angel.
Essa foi boa, pensei, ele está brincando comigo!!!
Quando chegamos ao centro, perguntou-me onde eu ficaria hospedada e então sugeriu um hotel próximo ao consulado e não um que uma das minhas tias havia indicado e ainda acrescentou:
- Não fique andando pelo centro da cidade depois das 16:00h.
Agradeci pela ajuda e quando me levantei para pegar a mala e descer, pude ver o anel e nele estava escrito: Angel.

Depois de mais algumas aventuras finalmente cheguei a Toronto e passei uma semana encantadora na cidade.

Escrevendo hoje o artigo tenho certeza que essas pessoas foram colocadas no meu caminho para mostrar que a frase do educador David Star Jordan é verdadeira:
“O mundo se põe de lado para deixar passar qualquer pessoa que saiba para onde está indo” e eu acrescentaria: “e ele ainda nos ajuda para que isso aconteça”. Basta termos fé em nós mesmo, calma para percebermos os sinais e quando pedirmos ajuda realmente ela vem e normalmente...da maneira que menos esperamos.

“Paz e Luz”

Thatiana Tondato: Consultora de Empresas e Palestrante Motivacional
Assista o Programa Espaço Algharve no site : www.thatianatondato.com.br

Jornal - Sol Português - Toronto - Canadá - 11/02/2011

Um comentário:

  1. Fantástico. É incrível o que você conta, confirmando o que já alguém havia dito por outras palavras. Quando alguém toma a decisão de fazer algo, e se empenha, começando a dar os primeiros passos, todas as circunstancias e ajudas, começam a chegar para ajudá-la a concretizar os seus objectivos. Gostei imenso, e gostaria de não quebrar esse contacto contigo, para partilhar mais ideias e experiências. Tarcisio

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